terça-feira, 26 de maio de 2009

Morte do Rock


Dentre os estilos musicais, o rock é um dos mais abrangentes, com inúmeros subgêneros e variações sonoras, pode agradar a audição de pessoas com os mais diversos gostos. Influenciou na ideologia de vida de multidões, o que demonstra que o seu poder vai além da música.

Tendo seu início nas décadas de 1950-1960 e sendo influenciado principalmente pelo blues, agregado a uma série de outros estilos musicais, o rock passou por diversas transformações ao longo dos anos, a começar do Rockabilly, representando por Elvis Presley Jerry Lee Lewis. Nas mesmas décadas, o rock britânico já tomou grande espaço (Beatles, The Who, Rolling Stones, Animals, The Beach Boys). A partir daí, surgiram os movimentos contraculturais (ou undergroud, como preferir), caracterizados pela psicodelia e pelo protesto, destacando-se os ícones do folk (Bob Dylan, Neil Young, The Mamas and The Papas), além de Janis Joplin, Jimi Hendrix, The Doors, Jefferson Airplane, entre outros. No fim da década de 1960 o rock progressivo (Pink Floyd, Rush, Yes, Genesis) atingiu um grande sucesso comercial, devido à complexidade das canções.

Na década de 1970 o hard rock e o heavy metal (Led Zeppelin, AC/DC, Deep Purple, Black Sabbath) intensificaram o modo de tocar. Ainda nesta década, ocorreu o movimento punk (Ramones, The Clash, Sex Pistols), com o princípio do “faça você mesmo”, que se opunha ao resto da cena musical da época, já que era constituído de um princípio anticapitalista. A partir da década de 80 os subgêneros se expandiram, tendo como base os principais gêneros.

Atualmente, observa-se que toda a criatividade musical presente no início da história do rock, tornou-se algo exclusivo do passado, já que as denominadas “novas” bandas, não passam de uma cópia dos artistas que as influenciaram. Casualmente alguns artistas conseguem obter algum destaque, demonstrando que a morte da música não passa de uma cogitação, porém, a maioria dos fãs do bom e velho Rock ‘N’ Roll crêem que ele teve seu fim na década de 1990.

Observando por outro ângulo percebe-se que talvez a teoria de que o mundo acabaria no ano 2000 não foi totalmente infundada, já que a produção cultural da atualidade encontra-se em um hiato criativo ou até em plena morte. A dúvida que perdura, é se a humanidade conseguirá resgatar o espírito renovador do início do século. Alguns acreditam que a humanidade vive em ciclos, e que em breve, novos prodígios surgirão, desbancando os nomes renomados. Os que desprezam esta teoria, acreditam que jamais surgirão bandas como Led Zeppelin, Black Sabbath, Beatles, Queen, Pink Floyd, dentre tantos outros grandes nomes. Seja qual for sua opinião, vale a pena escutar os clássicos do rock, pois tudo o que é original, é melhor.

Letra da semana: The Saints Are Coming – U2 & Green Day

O encontro foi histórico. Duas bandas engajadas em causas políticas, que produziam música da maior qualidade, juntas em uma mesma tomada, em uma mesma voz, anunciando algo que nunca aconteceu. “Os santos estão vindo” pode não parecer nada demais a primeira vista, mas se trata de uma marca notável quando estamos falando de uma época em que o governo americano era justamente criticado por não ter enviado a ajuda necessária para a reconstrução e recuperação do estado de New Orleans após a passagem devastadora do furacão Katrina em 2006. E o fato é ainda mais impressionante quando estamos falando de uma letra escrita em 1978, três décadas antes dos trágicos eventos, pela banda The Skids. A música se tornou hit na época, lançando a banda para um curto estrelato, mas nada se comparou ao impacto e ao tom pessoal que as vozes conjugadas de Bono Vox e Billie Joe Armstrong deram a letra sobre tragédia, tempestades, inundações e abandono. Nada mais oportuno e nada mais alarmante do que ouvir um clamor tão desesperado na voz de dois dos maiores portadores das boas causas através da música.

 

Ao menos na ficção, “os santos” chegaram. No vídeo dirigido por Chris Milk, conhecido pelo trabalho com gente do calibre de Gnarls Barkley e Audioslave, as tropas americanas fictícias eram dispensadas do serviço no Iraque para prestar assistência as vítimas do Katrina em Nova Orleans. Ficção, é claro, e George Bush estava ocupado demais para sequer dar atenção a tamanho escândalo. A guerra continuou, Orleans precisou se reerguer por conta própria, comentários sobre preconceito e falta de um atendimento apropriado não passaram de ameaças e protestos. Mas as duas bandas, em alta na época por seus respectivos e repercutidos últimos álbuns (How to Dismantle an Atomic Bomb e American Idiot), trataram de deixar sua marca na história da música e seu recado para a Casa Branca. Em tempos de muitas promessas com Obama, não custa nada se lembrar um pouco.

 

U2 & Green Day – The Saints Are Coming

Composição: The Skids

 

There is a house in New Orleans

They call it The Rising Sun

It’s been the ruin for many a poor boy

And God, I know I’m one

Há uma casa em Nova Orleans

Eles a chamam de O Sol Nascente

Está sendo a ruína de muitos, um pobre menino

E Deus, eu sei que sou um

I cried to my daddy in the telephone

How long now?

Until the clouds unroll and you come home

The line went

But the shadows still remains since your descent

Your descent

Chorei para o meu pai no telefone

Faz quanto tempo?

Até as nuvens passarem e você voltar para casa

A linha se foi

Mas as sombras ainda ficam desde sua partida

Sua partida

I cried to my daddy in the telephone

How long now?

Until the clouds unroll and you come home

The line went

But the shadows still remains since your descent

Your descent

Chorei para o meu pai no telefone

Faz quanto tempo?

Até as nuvens passarem e você voltar para casa

A linha se foi

Mas as sombras ainda ficam desde sua partida

Sua partida

The saints are coming, the saints are coming

I say no matter how I try, I realize there’s no reply

The saints are coming, the saints are coming

I say no matter how I try, I realize there’s no reply

Os santos estão vindo, os santos estão vindo

Não importa como eu tente, percebo que não há resposta

Os santos estão vindo, os santos estão vindo

Não importa como eu tente, percebo que não há resposta

A drowning sorrow floods the deepest grief

How long now?

Until the weather change condemns belief

How long now?

When the night watchman lets in the thief

What’s wrong now?

Uma tristeza sufocante inunda a mais profunda angústia

Faz quanto tempo?

Até que o tempo mude e condene a crença

Faz quanto tempo?

Quando o vigia noturno deixa entrar o ladrão

O que há de errado agora?

The saints are coming, the saints are coming

I say no matter how I try, I realize there’s no reply

The saints are coming, the saints are coming

I say no matter how I try, I realize there’s no reply

I say no matter how I try, I realize there’s no reply

I say no matter how I try, I realize there’s no reply

Os santos estão vindo, os santos estão vindo

Não importa como eu tente, percebo que não há resposta

Os santos estão vindo, os santos estão vindo

Não importa como eu tente, percebo que não há resposta

Não importa como eu tente, percebo que não há resposta

Não importa como eu tente, percebo que não há resposta

Bom, gente, por hoje é só isso mesmo, mas tenho um recado. Nos últimos dias tenho andando bem ocupado, então sem muito tempo para postar por aqui, mas saibam que estou planejando tornar o Gramophonica mais atualizado em termos de música, provavelmente com a criação de um boletim semanal de notícias musicais, e sempre tentando conferir os novos álbuns lançados por aí, certo? Por enquanto, um dia cheio de música para vocês e até mais!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Álbum: Feels Like Home – Norah Jones

Norah Jones não é uma exatamente o maior exemplo de sucesso entre as cantoras jovens dos últimos anos. De fato, a nova-iorquina sempre agradou mais aos críticos e ao público mais velho, saudoso do tempo em que o jazz era o som mais popular e as danças eram bem mais lentas do que as de hoje. Em 2001, quando a garota de 23 anos lançou seu Come Away With Me, um par de hits chegou a tocar nas rádios e de uma hora para outra novas cantoras nem tão talentosas que pretendiam fazer jazz estouraram mundo afora. A bem da verdade, não há nada de excepcional ou diferenciado na música de Jones, mas há uma espécie de sentimento tão despretensioso e uma sonoridade tão casual em seus acordes que, de alguma forma, a cadência da música faz o ouvinte embarcar no ritmo e, quando menos se espera, aquele sentimento expresso em palavras tão ao acaso chega forte aos ouvidos e a emoção. O que Jones faz é música de alma para alma, e me desculpe quem prefere ouvir o pop perfeitinho das “Britney Spears” por aí, algo bem mais verdadeiro do que 90% do que se faz na música atual.

 

Feels Like Home, segundo álbum da cantora, lançado no já longíquo 2004, soa como uma evolução para o som sem grandes arrojos que soava de forma competente e etérea em Come Away With Me. A bem da verdade, é um álbum mais puro, que aposta mais na sonoridade crua e sem os toques artificiais que as vezes prejudicavam o andamento das canções no anterior. A voz de Jones, também, está mais amadurecida, mais firme, menos sussurrante e mais segura. Já em uma das primeiras faixas, “What Am I to You” (Don’t fill my heart with lies/ I will love you when you’re blue/ But tell me darling true/ What am I to you?), a rouquidão leve que soava no álbum de estréia é trocada por uma interpretação mais forte e segura de uma canção com toques mais balançados e, surpresa, uma guitarra de fundo excepcionalmente bem colocada. Não muito depois de algumas faixas no mesmo ritmo, “Carnival Town” (Round and round/ Carousel/ It got you under its spell/ Running so fast/ But going nowhere) diminui a marcha e se utiliza bem de um melancólico violino para se tornar a melhor de todo o álbum. É quando chegamos em “In the Morning” (Dark like the shade corner inside a violin/ Hot like to burn my lips/ I know I can’t win) e as influências de country aparecem de forma sutil no som de Jones. O resultado é uma deliciosa balada de ritmo embriagante. Em compensação “Be Here to Love Me” (But who cares what the night watchmen say/ Stage has been set for the play) se perde nas mesmas influências e encontra pouca força no exagero. “Toes” (The current is strong from what I've heard / It'll wisk you down the stream/ But there never seems to be much time) poderia ser uma boa música se não estivesse no meio termo entre entre as duas anteriores e não tivesse uma letra tão desconexa. Dois erros menores em comparação com a divertida “The Long Way to Home” (Money’s just something you throw off the back of a train/ Got a handful of lghtening/ A hat full of rain), outra séria candidata a melhor do álbum com seu ritmo bem marcado, e a linda “Don’t Miss You at All” (As I sit and watch the snow fallin’ down/ I don’t miss you at all), uma carta confessional e melancólica que definde de uma vez por todas o que Norah Jones representa para a música atual. Como diriam os nostálgicos: Norah é música de verdade.

- Link para download: http://www.torrentreactor.net/torrents/2986686/Norah-Jones-Feels-Like-Home-%282004%29-FLAC-4834836-TPB

domingo, 17 de maio de 2009

Pedra Letícia – Sobre música brasileira, humor e sucesso virtual

Muito se fala sobre música brasileira. Não só aqui, mas também lá fora, onde cantores fracassados pela “falta de um apelo popular” vão buscar abrigo e acabam se tornando sucesso mundial… menos no Brasil. É uma pena que, exceptuando-se esses casos, o que o mundo fala sobre música brasileira é, basicamente e objetivamente, passado. Não querendo desmerecer gente do nível de Chico Buarque, Vinícius de Moraes e quem quer mais que você seja capaz de mencionar, mas é fato que, no mundo rápido em que estamos vivendo e na moderna febre virtual, é preciso acima de tudo ser esperto, rápido e atento para fazer sucesso. E não estou falando apenas de cifras, vendas, clips passando na MTV e participação no Programa do Faustão. Pelo contrário, a questão aqui é muito mais sobre músicas tocadas ao vivo, covers de bandas iniciantes e alta taxa de downloads, legais ou não.

 

Um dos maiores fenômenos nessas matérias nos últimos tempo é uma banda de rock goiana com batidas simples, ritmo contagiantes e letras quase geniais de tão inocentemente engraçadas. E veja bem, o humor do Pedra Letícia não é a ironia fina da música pop americana ou o exagero das letras de rap. É algo no intermédio entre os dois, algo que não fica sofisticado demais a ponto de enojar nem baixo demais a ponto de causar repulsa nos de gosto mais refinados. Basicamente, é música para criar um sorriso irremediável no rosto do espectador. É carismático, conquistador, instigante e, acima de tudo, diferente. E talvez por isso tenha sido um tamanho sucesso entre o público mais jovem, que descobriu o trio goiano nos sites de relacionamento e páginas de vídeo e música espalhados pela Internet e logo os elevaram ao posto de banda preferida para animar as apresentações mais “acústicas” nas baladas por aí. Bandas de garagem os adotaram como fonte de repertório esperto e agradável. A banda cresceu nas mãos de seu público. Não por acaso, no último domingo o Pedra Letícia foi parar no Faustão. O que de forma nenhuma significa uma mudança de direção.

 

Um bônus? O Pedra Letícia detem hoje o posto de um dos melhores shows do Brasil, criando uma ligação literal com a platéia, instigando o público a participar ativamente do espetáculo e destilando seu humor particular por todos os cantos e levando suas letras cotidianas, quase improvisadas, para um palco maior, melhor, e não por isso menos renovador, original e genuinamente brasileiro. Não é música para fazer sucesso no exterior, uma vez que é justamente nas letras que reside o maior charme das músicas. Não é música americana, não é música pop, mas é a nossa música. Com muito orgulho. Afinal, há algum tempo que o Brasil anda precisando de uma banda para chamar de exclusivamente sua.

 

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